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XIV


A moura torta


(Pernambuco)


Uma vez havia um pai que tinha tres filhos, e, não tendo outra cousa que lhes dar, deu a cada um uma melancia, quando elles quizeram sahir de casa para ganhar a sua vida. O pai lhes tinha recommendado que não abrissem as fructas senão em logar onde houvesse agua. O mais velho dos moços quando foi vêr o que dava a sua sina, estando ainda perto da casa, não se conteve e abriu a sua melancia. Pulou de dentro uma moça muito bonita dizendo: «Dai-me agua, ou dai-me leite.» O rapaz não achava nem uma cousa nem outra, a moça cahiu para traz e morreu.

O irmão do meio, quando chegou a sua vez, se achando não muito longe de casa, abriu tambem a sua melancia, e sahiu de dentro uma moça ainda mais bonita do que a outra; pediu agua ou leite, e o rapaz não achando nem uma cousa nem outra, ella cahiu para traz e morreu.

Quando o caçula partiu para ganhar a sua vida foi mais esperto e só abriu a sua melancia perto de uma fonte. No abril-a pulou de dentro uma moça ainda mais bonita do que as duas primeiras, e foi dizendo: «Quero agua ou leite.» O moço foi á fonte, trouxe agua e ella bebeu a se fartar. Mas a moça eslava núa, e então o rapaz disse a ella que subisse n'um pé de arvore que havia alli perto da fonte, em quanto elle ia buscar a roupa para ella. A moça subiu e se escondeu nas ramagens. Veio uma moura torta buscar agua, e, vendo na agua o retrato de uma moça tão bonita, pensou que fosse o seu