Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/115

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cedo, o principe disse-lhe que pedisse o que queria, e ella disse que só queria o cinto que elle usava.

Já se sabe, veiu a ter outro menino. Foi ainda uma terceira vez convidada para um grande arraial, e ella lá se encontrou com o principe sem elle saber que era a filha do lavrador. D’esta vez tambem lhe perguntou o que é que ella queria, e a moça pediu-lhe o relogio. Passado o tempo tambem teve uma menina, que pôz a criar com os outros dois filhos do principe.

Um dia disse elle:

— Filha de lavrador, vou-me casar. Não queres vir á minha boda?

Elia disse que não; mas no dia do casamento entrou pelo palacio dentro com os trez meninos, um com a espada, outro com o cinto, e a menina com o relogio. Deixaram-na entrar, e ella foi para a meza. O principe conheceu aquellas trez prendas que dera, sem saber a quem, e viu que os meninos eram o seu retrato. No fim do jantar disse que cada um havia de contar a sua historia, e que elle é que começaria. Disse então:

— Um dia um homem perdeu uma chave de ouro, e arranjou uma de prata para servir-se; mas aconteceu achar outra vez a chave que tinha perdido, e agora quero que os senhores me digam de qual d’ellas se deve servir d’aqui em diante, da de ouro ou da de prata?

Disseram todos:

— Da chave de ouro! Da primeira.

O principe levantou-se, e foi buscar a filha do lavrador, que estava a um canto da meza, e disse:

— A esta é que tomo por mulher; e estes infantes são os meus filhos, que eu tinha perdido.

A festa continuou muito alegre, e d’ali se foram a receber com grandes alegrias.

(Santa Maria-Famalicão.)