Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/133

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Chegaram por fim á terra d’onde o principe era natural; deixou a menina em uma estalagem, e foi pedir ao pae licença para lhe apresentar a sua noiva. Com a alegria que teve de vêr a familia esqueceu-se da menina. O pae tratou de lhe fazer o casamento; quando a menina soube d’isto teve uma grande afflicção e gritou:

— Valham-me aqui minhas irmãs.

Appareceram-lhe. A mais velha disse:

— Não te afflijas; tudo se hade arranjar. — E deu ordem á estalajadeira que quando passasse algum criado do rei a comprar aves, que fosse ao quarto da irmã e vendesse trez pombinhas que estariam lá. Assim foi; o criado do rei comprou as trez pombinhas, e como eram muito lindas foi mostral-as ao principe.

O principe estava admirado, e quando ia pegar n’ellas uma saltou para cima da janella, e disse:

— Quando nos ouvir fallar, ainda mais admirado hade ficar.

Outra saltou para cima de uma mesa, e disse:

— Vae fallando, vae fallando, que elle se irá recordando.

A pombinha que lhe tinha ficado na mão saltou-lhe para cima do hombro e perguntou-lhe:

— Veja, principe, se este annel lhe serve.

O principe viu que sim. Depois deu-lhe um collar, e tambem servia. Por fim deu-lhe a penna, e só quando leu o nome da pomba é que se tornou a lembrar, e então casou com ella.


(Algarve.)


33. MARIA SUBTIL

Havia um mercador, que morava perto do palacio real, e tinha trez filhas. Maria era a mais moça e a mais formosa. O mercador era viuvo, e o rei mandou-o fazer uma viagem. Logo que o rei o mandou chamar foi, e voltou