Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/150

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A princeza, para não ficar atraz da outra quiz fazer o mesmo, cortou a cabeça, mas morreu logo. O principe ficou muito triste, e pôz a criada na rua. Casou com outra princeza; passados dias vem outra criada e diz-lhe:

— Vossa alteza não sabe? Aquella senhora que está fechada lá em cima, quando está fiando e lhe cáe o fuso, corta a mão que o vae apanhar ao chão, e torna a ficar no seu lagar.

A terceira esposa quiz fazer o mesmo, mas a mão gangrenou-lhe e passados dias morreu. O principe pôz a criada na rua, e foi ter com a menina que tinha fechada, e assim que ia tocal-a, ella começava aos gritos, que tremia o palacio.

Foi o principe muito afflicto ter com a rainha, que lhe disse:

— Filho, pede pelos sete principes encantados, a vêr o que ella te diz.

Elle assim fez, e nunca mais achou difficuldades; dizendo-lhe a esposa:

— Aqui me tens, porque já soubeste fallar.

E os sete principes desencantaram-se.

(Ilha de S. Miguel.)


41. AS SONSAS

Havia um rei, e na sua côrte andavam dois cavalleiros; um fallava nas suas trez filhas, que eram muito devotas e que não se importavam com as vaidades do mundo; o outro tinha uma filha só, que era muito alegre e divertida. Juntaram-se um dia muitas senhoras e fallaram nas suas filhas, aonde estava tambem o principe, que, ouvindo as conversas, foi ter com a rainha e pediu-lhe as suas joias. Vestiu-se em adela e foi a casa do fidalgo que tinha as trez filhas beatas. Bateu á porta; os criados foram chamar a dona da casa, mãe das meninas, e ella lhe disse: