Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/167

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E a pombinha voava e tornava a dizer:

Eu ando da ortelã para o loureiro,

Á roda da minha horta;

Como irá o principe

Com a sua esposa preta Carlota?

O jardineiro foi contar tudo ao principe, que mandou untar todas as arvores de visco, para apanhar a pombinha. Apanhou-se a pombinha, e a preta logo desejou os figados d’ella. O principe não quiz que ella se matasse; indo-lhe a fazer festa, ao passar a mão pela cabeça da pombinha achou os dois alfinetes e puchou-os; ella tornou-se outra vez na menina, e o principe muito contente casou com ella, e mandou matar a preta e a mãe da preta.

(Ilha de S. Miguel — Açôres.)


46. AS TREZ CIDRAS DO AMOR

Era uma vez um principe, que andava á caça; tinha muita sêde, e encontrou trez cidras; abriu uma, e logo ali lhe appareceu uma formosa menina, que disse:

— Dá-me agua, senão morro.

O principe não tinha agua, e a menina expirou. O principe foi andando mais para diante, e como a sêde o apertava partiu outra cidra. D’esta vez appareceu-lhe outra menina ainda mais linda do que a primeira, e tambem disse:

— Dá-me agua, senão morro.

Não tinha ali agua, e a menina morreu; o principe foi andando muito triste, e prometteu não abrir a outra cidra senão ao pé de uma fonte. Assim fez; partiu a ultima cidra, e d’esta vez tinha agua e a menina viveu. Tinha-se-lhe quebrado o encanto, e como era muito linda, o principe prometteu casar com ella, e partiu d’ali para o