Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/212

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ram de vida, que até áquelle tempo tinha sido amargurada pelos poucos ganhos e muitos filhos.

A Riqueza e a Fortuna foram ao sitio onde o homem costumava cortar lenha e esperaram por elle bastante tempo. Por fim a Fortuna declarou-se vencedora, dizendo:

— Que te dizia eu? Não é com o muito dinheiro que se é feliz.

(Algarve.)



67. MARÇO MARÇAGÃO

Era uma vez um homem, que casou com uma mulher desmazellada, e depois dizia o homem:


Oh mulher, oh mulher,
Eu mercára-te uma roca…

A mulher: — Isso não, marido, não
Que me fal’-a cara torta;
C’o dinheiro e co’a roca
Compraremos um burrinho,
O burrinho leva os odres,
E os odres leva o vinho.

Marido: — Oh mulher, oh mulher,
Eu mercára-te umas meias…

A mulher: — Isso não, marido, não
Que me fal’-as pernas cheias.
Antes com esse dinheiro
Compraremos um bulrrinho,
O burrinho leva os odres
E os odres leva o vinho.




68. OUTRO

Dil-o o homem:

— Oh mulher, tu não fias? tu não trabalhas?

— É um dia santo muito grande, não se póde hoje trabalhar.