Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/336

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa


o diaboo en semelhança de hum homem velho e disselhe:

— Vay tu aa taverna e eu te darey dinheyros que te avondem, por tal que dees aazo aos outros que bevam mais.

E elle assi o fez. E fazia muytas pelleyas en a taverna, e muytas bevedices de que se seguiam muytas pancadas e muytos maaos feytos. E elle fez hi hum fecto tal per que o mandarom enforcar. E pozeromno na forca per trez vezes e nunca pode morrer, porque o diabo o ajudava e o sostinha. E hum sancto homem que sabia a maa vida daquelle homem, veendo esto maravilhouse e entendeo que o diabo o ajudava. E foise hu enforcavam aquelle homem e começou a esconjurar o diabo pella virtude de Jhu xpõ que lhe dissesse a verdade daquelle feito porque nom podia morrer aquelle homem maao. E o diabo respondeo e disse:

— Que como quer que elle desejasse a morte daquelle homem porque morria enforcado; pero por que elle fazia ir ao inferno tantos homens que ja os diabos eram cansados en os levar e receber; que por en o ajudava que nom morresse.

(Fl. 55, v.)




138. OS QUATRO RIBALDOS

Hum Rustico aldeano matou hum carneyro e esfolouo e levava-o aas costas pera o vender en o mercado. E falaronse quatro ribaldos que estevessem em quatro lugares en a carreyra per hu avia de hir aquelle aldeaão, e que cada hum lhe dissesse que aquel carneyro era cam, por tal que o deitasse de ssy, e que o ouvessem elles. E quando o aldeão passou per hu estava o primeiro ribaldo disse-lhe: