Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/340

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da boa andança e das deleytações do mundo, mas a alma que he sesuda querya andar pella carreyra da peendença e das tribulações do mundo, e a rrazom assy lho conselha, mas a sensualidade tem com a carne, e os prelados e pregadores que som os pastores demostram ao homem ambas as carreyras.

(Ms. 273, fl. 98.)




141. A PAPISA JOANNA

Huum papa que ouve nome Johãne, natural de Margantina de Ingraterra, foy molher. Ca ella seendo moça pequena levoua huum seu amigo aa cidade de Athenas em trajo de barom. E aprendeo tanto que foy sabedor en muytas ciencias, em tal guisa, que nom avia nenhum que fosse egual a ella. E depois veeo a Rroma e leeo hi de cadeyra. E aprendiam della grandes meestres e muytos outros discipulos, em guisa que era de muy grande fama en a cidade de Roma. E porem foy eleito en concordia por papa. E seendo papa dormio com huum seu familiar e emprenhou. E ella nom sabia o tempo do parto, e hindo huum dia da egreja de sam pedro pera sam joham de letram veeromlhe as doores do parto e paryo aly en a carreyra e morreo, e soterraromna aly. Pouco aproveitou a esta a fama e os louvores dos homeẽs, assy como empeeceo a outro papa a desonrra que lhe foy fecta.

(Fl. 99.)




142. O FIRMAL DE PRATA

Huum barom segral avia grande cobiça de fazer seu pecado com huuma molher. E ella era casta e boa, e porem nom se atrevia elle de a demandar, mas cuydou fal-