Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/476

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16. Rosa branca na bocca. — Um povo que recebeu as tradições semitas, phenicias, hebraicas e arabes, repete sob um novo aspecto o conto de Joseph que resiste à seducção da mulher de Putiphar.


17. O cavallinho das sete côres. — Vide contos 1 e 6, e notas respectivas. Nos Contos populares portuguezes da traducção de Ralston, A filha da Feiticeira traz a circumstancia do esquecimento da namorada; é o n.º IV. As nossas versões não apresentam syncretismos. Vide o conto 32, agrupado tambem na versão citada. Nas Fiabe, Novelle e Racconti popolari siciliani de Pittré, o n.º XV Lu Ré di Spagna é identico ao conto portuguez a Filha da Bruxa colligido por Pedroso.


18. Muda, mudella. — Ha uma versão de Coimbra, intitulada O senhor das janellas verdes, nos Contos populares portuguezes, n.º XLVIII. Traz o seguinte estribilho poetico:

— Olha a muda, mudona!
Que traje! que dona!
«Olha a condessa, que inveja!
Que eu falle não deseja.

Nos Contos populares de Pomigliano, colligidos por Imbriani, é o conto de Muzella. (Rev. des Deux Mondes, Nov. 1877, p. 142.) Nos Nobiliarios portuguezes a lenda do solar dos Marinhos versa sobre a peripecia de uma mulher que não falla. Vid. n.º 129.


19. O sapatinho de setim. — Nos Contos populares portuguezes, n.os XXXI e XXXVI, ha duas versões, Pelle de cavallo, e a Engeitada. N'esta ultima, ha o estribilho poetico:

Perola fina fica na cuba,
E o saramago vae na burra.