Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/478

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20. A Madrasta. — Pertence ao cyclo do antecedente. A troca das crianças pelas fadas, acha-se nos Contes populaires de la Grande Bretagne, p. 223, trad. Brueyre.


22. Cabellos de ouro. — A versão portugueza está bastante confusa; a redacção mais completa que conhecemos é a do Chili, intitulada El Culebroncito, publicada na Biblioteca de las Tradiciones populares españolas, t. I, p. 137.


23. A Carpinteirasinha. — Este titulo não tem sentido ignorando-se a significação primitiva de carpinteiro; carpenta é o carro gaulez, usado pelas antigas mulheres da Ausonia, como descreve Ovídio (Fastos, I-IV, 819.) Florus cita um carpentum de prata do rei Brituitus. A locução portugueza bicho de carpinteiro) designa a pessoa que não está quieta em um logar. Evidentemente o nome de Carpinteirasinha deriva-se da sua mobilidade com que figura no conto. A fórma seguinte é uma variante.


24. A filha do lavrador. — Pertence ao cyclo da Maria Sabida.


25. A feia que se torna bonita. — No Pentamerone de Basile, X conto, ha uma velha que se esfola para se fazer bonita. Vid. Gubernatis, Mythologie zoologique, t. II, p. 6: «No decimo conto do Pentamerone, o rei de Roccaforte casa-se com uma velha, julgando que é uma nova. Deita-a pela janella, mas ella na queda fica dependurada de uma arvore; vêm as fadas, fazem-n'a nova , dão-lhe formosura e riqueza, e cingem-lhe o cabello com uma fita de ouro. A irmã, tambem velha, da outra que ficou bonita (a Noite) foi a casa de um barbeiro, esperando obter a mesma transformação pedindo que a esfolasse, mas ficou sem pelle. No que respeita o mytho das duas irmãs, a Noite e a Aurora, a donzella negra e a que se