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30. A noiva do corvo. — Nos Kalmükische Märchen, de Jülg, vem um conto do Passaro desposado, que se prende a este cyclo do amante tornado em porco ou em cavallo, em serpente ou em passaro. Nos Contos populares portuguezes, nº XXV e XXXIV, vem com os titulos O Carneirinho branco, e o Principe-sapo. Brueyre, nos Contes populaires de la Grande Bretagne, cita um conto da collecção de Campbell, em que o esposo é um corvo, e não um principe-sapo ou principe-serpente como no cyclo em geral, na Russia, Allemanha, Italia e França. (Vid. nota a pag. 58.) Estudaremos mais adiante ao annotar a redacção litteraria de Trancoso. No setimo conto mogol do Siddhi-Kûr, resumido por Gubernatis (Myth. zoologique, t. I, 140), é a gaiola que a desposada queima por conselho de uma bruxa. Nos mythos indianos o sol é um passaro, e a aurora a gaiola que arde. Nas Fiabe, Novelle e Racconti populari siciliani, de Pittré, ha o conto d'este cyclo, n.° CCLXXXI, Ré Cristallu. Consiglieri Pedroso colligiu duas versões portuguezas O Principe encantado, e o Talo de couve.


31. A paraboinha de ouro. — O episodio da bacia magica é frequente em outros contos. (Gub. Mythologie zoologique, t. II, p. 315.) Nos Contos populares portuguezes, n.º XLIV, vem uma versão de Ourilhe, O principe das palmas verdes, com o estribilho poetico:

Principe das Palmas verdes
Não te lembres de mim;
Lembra-te do teu filho
Que o tens ao pé de ti.

Na Biblioteca de las Tradiciones populares españolas, t. I, p. 126, vem uma versão do Chili, com o titulo El Principe Jalma.