Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/482

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versão sevilhana, intitulada Mariquilla la ministra, colligida por Guichot y Sierra. Vid. n.º 42.

A referencia mais antiga a este conto vem nas Cartas, de D. Francisco Manoel de Mello (Centuria V, carta 7.ª):

«Eu cuido que vireis a ser aquella


…Dona atrevida,
Dôce na morte
E agra na vida.


que nos contam quando pequenos.» Na tradição popular corrente ainda tem o titulo de Maria Subida. Charles Perrault, nos seus Contos (1697), redigiu litterariamente este thema tradicional na Adroite Princesse ou Aventures de Finette, no qual o principe de Bel-à-Voir fura com a espada uma boneca de palha que tem uma bexiga cheia de sangue. João Baptista Basile, no Pentamerone, deu redacção litteraria á fórma italiana no conto da Sapia Licciardia, que tambem mette na cama uma boneca cheia de mel e cousas dôces, exactamente como na tradição portugueza. Na Inglaterra este conto apresenta um aspecto exclusivamente maravilhoso no The Made Pranks and merry Jests of Robin Good Fellow, em que o amante é um genio domestico, Robin, que deixa na cama uma figura de lã. (Brueyre, Contes populaires de la Grande Bretagne, p. 235.)


34. O coelhinho branco. — Em uma versão do Algarve, inedita, vinha o estribilho poetico:

Lenço, liga, cordão e cuidado,
Quem me déra vêr aqui
A dama do meu agrado!


35. Clarinha. — Pertence aos mythos da Aurora, o que concorda singularmente com o nome da menina.