Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/502

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do padre João Baptista de Castro, vem uma redacção portugueza da Matrona de Epheso formada sobre elementos eruditos. Esta historia acha-se na collecção dos Sete sabios; Loiseleur des Longchamps, no Essai sur les Fables indiennes, p . 161, indica as fontes d'este conto mais conhecido pelo Satyricon de Petronio. Ha um estudo especial por M. Dacier, nas Mem. de l'Academie des Inscriptions, t. XLI; no Policraticus sive de Nugis Curialium, de João de Sarisberi, de 1183, vem esta lenda d'onde se vulgarisou na Edade media, e para a collecção das Cento Novelle antiche. As imitações litterarias são numerosissimas. No Novellino traz o n.º LIX.


70. A carpideira. — Pertence ao cyclo do conto antecedente, um dos mais abundantes do nosso Decameron popular.


71. Frei João Sem Cuidados. — Merece comparar-se a versão oral com a redacção litteraria de Gonçalo Fernandes Trancoso, do seculo XVI, em que figura um fidalgo Dom Simão. Ha uma fórma hespanhola tambem do seculo XVI, no Patrañuelo de Timoneda, n.º XV. (Coll. de Auctores españoles, de Ribadaneyra, p. 154.) A fórma mais antiga que conhecemos é a italiana de Franco Sacchetti, contemporaneo de Dante, nas Novellas, t. I, n.º IV. A primeira versão oral portugueza foi publicada no Almanach de Lembranças, para 1861, p. 323. (Vid. n.º 160.)


72. João Ratão (ou Grillo). — Publicado pela primeira vez na Era nova, p. 243. Em uma versão popular de Villa Real, o objecto da adivinha é um grillo, e por isso o adivinho acerta na resposta, dizendo:

Ai grillo, grillo,
Em que mão estás mettido.