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— Ai de mim,

Cravo, Rosa e Jasmim!

Foi então que a criada da cosinha disse que não tinha cumprido as ordens da rainha, e que tinha escondido os meninos. A rainha foi condemnada, e o pagem sentenciado á morte, e a cosinheira em paga foi feita dama da nova rainha.

(Algarve.)



5. AS TRES FADAS

Era uma vez uns casados que não tinham filhos, e viviam por isso muito descontentes. A mulher foi-se confessar ao Padre Santo Antonio, e contou-lhe o seu desgosto. O santo deu-lhe tres maçãs, para que as comesse em jejum. A mulher chegou a casa, pôz as trez maçãs sobre uma commoda, e foi arranjar o almoço. O marido vindo de fóra encontrou as tres maçãs e comeu-as.

Ao almoço a mulher contou o succedido na confissão, e o marido ficou todo assustado. A mulher foi outra vez fallar com o santo, que lhe disse:

— Pois os trabalhos por que tínhas de passar, o teu marido que os passe.

Chegado o tempo o homem começou a gritar, chamou-se pessoa entendida, e abriram-no para o alliviar. O homem desesperado mandou deitar a criança no monte. Uma aguia desceu do ár e levou a criança no bico e lá a creou com o leite que ia tirar ás vaccas que andavam pastando, e agasalhava-a com a roupa que pilhava pelos estendedouros. Fez-lhe uma casinha de palha, e ali se creou a pobre criança, que se tornou uma menina formosa.

Um dia passou por aquellas montanhas um principe que andava á caça; viu aquella menina tão linda, e per-