Página:Contos amazonicos.djvu/79

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estival de dezembro, de se deixar queimar ao sol matutino, cujo ardor a brisa da floresta refrescava.

As moças entregavam-se francamente à embriaguez no mato. Corriam à caça de maracujás, dourados e cheirosos, de cajus irritantes, de caramurus doces como mel, de goiabas verdoengas, provocadoras, cujos carocinhos rubros avivam-lhe a cor dos lábios. Os homens, perdendo a gravidade, conversavam em voz baixa, salgando a despreocupada palestra com gargalhadas picantes e brejeiras. O vigário ia atrás de todos, afugentando com o lenço os bois que repousavam à beira do caminho.

Lourenço ia à frente do bando, procurando entreter conversa com a afilhada do Bento, que por faceirice lhe escapava, ora para esconder-se atrás de uma moita de flores, ora para trepar com pasmosa agilidade às goiabeiras, entre risadinhas gostosas. A filha do juiz municipal dizia de vez em quando entre dentes:

- Esta Cotinha! Mas que faceirice!

Depois de meia hora de caminho, avistaram o Macuranim cercado de palhoças de pescadores. As aningas da beirada deixam cair