Página:Contos amazonicos.djvu/81

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como por uma rápida mudança pôs-se a trocar amabilidades claras com a filha do juiz, petulante trigueirinha de vinte anos.

Na volta para a vila, a afilhada do Bento já não corria, já não trepava às árvores, não ocultava mesmo a tristeza que se apoderara de seu coração. Vinha séria ao lado do padrinho, mas não tirava os olhos de Lourenço e da filha do juiz, que andavam desta vez atrás de todos, conversando, rindo, perseguindo borboletas como duas crianças. Mariquinha detinha os passos para acompanhar os movimentos dos dois jovens, dolorosamente ferida pelo que, no íntimo, chamava inconstância de Lourenço. Poucas horas havia que o moço se mostrara apaixonado por ela e agora namorava às claras a Lucinda, a filha do juiz, a moça mais feia de Vila Bela. Forçoso era crer na volubilidade dos moços do Pará, de que tanto lhe falara a sua ama-de-leite, a boa Margarida. Com a alma ulcerada pelo ciúme e espezinhada na vaidade de moça bonita, sempre até ali preferida, Mariquinha caminhava em silêncio, afetando fadiga. Quando chegaram à vila, despediram-se uns dos outros à