Página:Contos amazonicos.djvu/90

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O rapazinho foi dar o recado à velha Margarida. A mãe preta correu ao quarto de Mariquinha e disse-lhe ao ouvido:

- É agorinha.

Mariquinha foi à gaveta da cômoda buscar o tajá que a Margarida havia na véspera trazido do Lago da Francesa, e que, absorvido em pequena porção pelo filho do capitão Amâncio, devia deixá-lo louco de amores pela pessoa que lho ministrasse. Ela mesma ralou uma porção de raiz em uma língua de pirarucu. Tomou uma colherinha, encheu-a com o resíduo obtido, misturou-o com açúcar e depositou-o numa xícara de café que lhe trouxera a mãe preta.

Chamou o moleque e disse:

- Aqui está o café para o sr. Lourenço.

Custa-me a acabar esta triste história, que prova quão perniciosa é a crença do nosso povo em feitiços e feiticeiras. O tajá inculcado à pobre moça, como infalível elixir amoroso, é um dos mais terríveis venenos vegetais do Amazonas.

Lourenço, ao tomar o café, coitado! bebeu-o de um trago, sentiu fogo vivO a abrasar-