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Página:Curso de litteratura portugueza e brazileira (Sotero dos Reis, 1868, v 4).djvu/193

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o autor nova soma de conhecimentos, pois não se limitou a correr mundo, como outros, mas cultivou o seu espírito, estudando com esmero a literatura dos países, e com especialidade a do último, cujo gosto não deixa de transpirar nos seus versos; e tanto, que José Maria da Costa e Silva o dá como poeta da escola italiana, e não sem fundamento. Estudando assim a literatura moderna, a par da antiga, dispunha-se ele, para levar ao cabo a empresa que meditava, que nada menos era que enriquecer a literatura portuguesa com uma epopeia brasileira, ou com o seu Caramuru, que quer dizer filho do trovão, dragão do mar, segundo a explicação dada pelo autor. O sentimento o mais nobre que leva o homem a operar prodígios, o amor da pátria, é que lhe inspirou a ideia do seu poema, como ele próprio diz nestes termos: “Os sucessos do Brasil não mereciam menos um poema, que os da Índia. Incitou-me a escrever este o amor da Pátria.”

A ação do poema é, como ainda explica o autor, o descobrimento da Bahia, feito quase no meio do século XVI por Diogo Álvares Correia, nobre vianês, compreendendo em vários episódios a história do Brasil, os ritos, tradições, milícias de seus indígenas, como também a natural e política das colônias.

O assunto, se não é verdadeiramente heroico, como pretende Garrett, a ponto de prestar-se a toda a sorte de belos e variados quadros, é pelo menos vasto e nobre. O herói do poema é Diogo Álvares Correia, a