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DA FRANÇA AO JAPÃO

Os hollandezes corresponderão a confiança dos Imperadores japonezes, e durante dois seculos prestavão-se ás maiores humilhações.

Nada de mais servil do que as ceremonias das audiencias, que o Imperador concedia em Yedo ao residente hollandez que dirigia o commercio da companhia das Indias.

Kæmpfer, que não póde ser suspeito, conta assim o que se passava nestas audiencias : — Desde que o residente entrava na sala da audiência, gritava-se Hollanda Capitan, o que significava ordem para elle approximar-se e apresentar seus respeitos. Entretanto o residente arrastava-se sobre os joelhos, até um lugar que lhe era indicado que ficava entre a fila de assistentes e o Imperador; então, sempre de joelhos curvava-se até tocar com a fronte ao chão, e depois retirava-se sempre recuando ou antes difficilmente arrastando-se como uma lagarta, sem dizer uma só palavra. Nisto consistia a audiência que nos concede este poderoso monarcha.»

«Quando o Imperador consentia em receber os hollandezes em particular, diz Kæmpfer, os membros da missão entravão arrastando-se na salla da audiência, em seguida o Imperador assentava-se a nossa direita, e nos ordenava de tirar o nosso manto de cerimonia, dizendo que era para nos vêr mais a vontade, ora ordenava-nos de andar, de parar ou de fazer cumprimentos a nossa moda, ora obrigava-nos a dansar, pular, imitar os embriagados, fallar o japonez que sabiamos, lêr o hollandez, e sobretudo de cantar. Faziamos o que estava no nosso alcance para agradal-o, e eu me lembro, accrescenta Kæmpfer, que uma vez dansando em sua presença acompanhei os pulos que dava com uma canção de amor allemã, o que divertio muito o Imperador e sua Côrte.»

Deste servilismo resultou que, ainda hoje, os japonezes que nunca sahirão de seu paiz, tratão com o maior desprezo os estrangeiros, e só pelos esforços dos diplomatas que nestes ultimos dez annos tem representado os seus paizes no Japão, é que se tem obtido fazer desapparecer esta má impressão, e