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DA FRANÇA AO JAPÃO
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A pequena capella catholica acabava de ser reconstruida e acha-se situada em uma das principaes ruas da cidade do Yokohama.

Ao entrarmos, vimos de joelhos muitos homens e mulheres do paiz, quo oravão com o maior recolhimento e fervor, o que nos encheo de jubilo; —pensavamos no sangue de tantos martyres, derramado sobre este mesmo solo em que, dous seculos mais tarde, sem receio de torturas, cada um pratica os actos religiosos da seita que professa.

Satisfeito o nosso dever de bom catholico, sahimos em procura do Grande Hotel de Yokohama que nos informarão a bordo ser o melhor, e onde devião residir os membros da nossa missão scientifica.

Não conhecendo as ruas e não desejando incommodar os transeuntes, julgamos mais acertado entrarmos em um dos pequenos carrinhos que estacionavão a porta da Egreja e pronunciarmos simplesmente a phrase. «Grande Hotel.» Com effeito, o japonez, que fazia o papel que entre nós pertence a algum representante da classe cavallar ou muar, apoderou-se dos varaes do carrinho, e ao trote percorreu a distancia que mediava entre a Egreja e o Hotel.

Na verdade, é interessante ver-se como se prestão commodamente estes pequenos carrinhos, semelhantes aos em que as crianças sahem a passear, para o estrangeiro percorrer as ruas da cidade.

Pintados com vistosas côres e apresentando desenhos curiosos, estes carrinhos são de real utilidade para os habitantes de Yokohama, que mediante um bou, que vale mais ou menos quatrocentos réis da nossa moeda, percorrem toda a extensão da cidade.

O hotel em que residimos, era bem gerido por uma empreza americana, a sua meza era relativamente boa, os aposentos ventilados e espaçosos; quanto ao preço, necessariamente, o viajante que vai ao oriente deve deixar nos bolsos dos hoteleiros alguma cousa de mais por conta das curiosidades que