pondentes apeavam-se aos centos dos comboios expressos, nas ruas da cidade, e grande como era a «hall» (salão) das sessões, ainda assim aquella multidão immensa de sábios não pôde caber lá; assim a multidão refluia para todas as salas proximas e ainda para os corredores, e até ao meio dos pateos exteriores, onde se encontrava com o simples popular que fazia apertão ás portas; cada um procurava alcançar melhor logar; todos avidos de conhecer a importante communicação do presidente Barbicane, apertavam-se, empurravam-se, esmagavam-se com aquella liberdade de acção que é peculiar das massas educadas e creadas nas idéas do self-government[1].
N'aquella noite o forasteiro que o acaso tivesse levado a Baltimore, nem a peso de oiro teria conseguido penetrar no salão grande. Fôra este exclusivamente reservado para os socios residentes ou correspondentes; ninguem mais la podia ser admittido, e até os notaveis da cidade e os magistrados do conselho dos selectmen[2] tinham tido que misturar-se com a turba dos seus administrados para apanharem de relance alguma novidade lá de dentro.
Apesar d'isto a immensa «hall, apresentava um espectaculo verdadeiramente digno de excitar a curiosidade, e o vasto aposento estava maravilhosamente apropriado ao seu destino. Sustentavam-lhe os finos lavores da abobada, verdadeira renda esculpida a saca-bocados no ferro fundido, elevadas columnas compostas de canhões sobrepostos e apoiados em enormes morteiros. Nas paredes agrupavam-se enlacadas em pittorescos florões panoplias de bacamartes, de arcabuzes, de carabinas de toda a especie, de armas de fogo antigas e modernas. Rebentava a chamma viva do gaz de um milheiro de revolvers agrupados em fórma