porque, dizia clle. a sua honra estava empenhada na conclusão do trabalho. Feita a traducção dos cem cantos do poema, começou novo esforço, nova luta: a annotação. O que é a traducção do poema já está mais ou menos julgada. pelo Infernon, que foi publicado em 1888, editado pelo sr. José Luiz de Freitas, men ex-cunhado, pelo que disseram as pennas dos escriptores nacionaes Arthur Azevedo, Luiz Murat, Valentim Ma- galhães, Lima Campos e outros. A annolação é uma maravilha: pode-se dizer que cada verso tem uma explicação clucidativa e que demonstra o quanto leu, o quanto estudou meu Pac para bem fazer a sua traducção. Traduzir, qualquer traduz; agora traduzir com amor, viver com o poela, interpretar-lhe o pensamento, descobrir o que elle quiz dizer. com acerto, remontar á epoca em que elle viveu, conhecer minucias da sua vida, como fez o pocla bahiano de quem me ufano, fazer cousa rara, como não se tem feito aqui no nosso paiz e creio que na lingua portugueza. Overso é classico, o portuguez &.de lei. Quem me lê, achará que exagero? Creio que não; faria o mesmo que eu faço, porque a verdade é uma: a obra ahi está, completa, exactissima, como o poeta a traduziu, a interpretou e a annotou. O poeta-interprete do Dante fez mais do que poude, deu mais do que os outros que o tentaram fazer. A minha vaidade está em ser a traducção completa que ora apparece, a primeira que se fez na lingua portugueza, esmerada e artisticamente trabalhada. Depois da annotação,o traductor da « Divina Comedia» estudou a a obra dantesca » analyticamente, trecho a trecho, e deu-lhe a sua impressão e a dos innumeros commentadores. E um volume espe- cial, que ha de apparecer proximamente, com mais vagar.
Página:Dante - Divina Comedia, Inferno trad. José Pedro Xavier Pinheiro (1907).pdf/21
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