A fatalidade quiz que não pudesse satisfazer o seu desejo de artista e nem recebesse de seus patricios os louvores pelo seu tra- balho ingente. A luta que travei para a publicação da obra que tantos sacri- ficios custara a meu Pae, inclusive o de perdel-o para todo o sem- pre, está no dominio de todos aquelles que me conhecem. Não quero, dizendo isso, attrahir glorias para mim, mas ne- cessito accentuar que o meu serviço na publicação de tão grande monumento litterario fez-se com o meu amor à memoria d'aquelle de quem me orgulho, com extraordinaria abundancia de sentimento filial. Em 1898, o meu distinclo e particular amigo, homem de ta- lento, poeta de merecimento e ardoroso republicano, capitão Ame- rico de Albuquerque, que exercia o cargo de intendente municipal, querendo dar-me uma prova de sua dedicação e amizade e prestar uma homenagem de justiça ao meu querido progenitor, comme- morou o 16° anniversario do seu passamento, produzindo na me- moravel sessão de 20 de outubro d'aquelle anno, no seio do Con- seiho Municipal do Districto Federal, um extraordinario discurso, rico de forma e de belleza, pondo em evidencia o merito do tra- balho do poeta brasileiro. Ainda tenho n'alma as palavras ungidas de sinceridade profe- ridas pelo meu bom amigo Americo de Albuquerque, que não só fez o panegyrico do illustre morto, como apresentou um projecto de lei autorisando o Prefeito a mandar imprimir no Instituto Profissional. estabelecimento municipal, a obra completa traduzida por meu sau- dosissimo progenitor. Esse projecto obteve, além da assignatura de seu digno autor. as dos Srs. Eugenio Carvalho, Tertuliano da Gama Coelho, Carlos Joaquim Barbosa, Manoel Corrêa de Mello, José Francisco Lobo
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