AO LEITOR
DIz hum sabio, que o homem nasceo para a verdade, como para a virtude. Esta só o póde pôr em harmonia com a sociedade , depois que sem ella o seu coraçaō se acha devorado de sentimentos hostis , e o mundo naō lhe offerece senaō inimigos. O habito de fazer bem o enche de vivas , e doces commoçóes , que talvez ninguem , por mais infeliz que seja , naō as tenha alguma vez experimentado ; he por ella que a alma se engradece , e a quem os verdadeiros bens da vida lhe saō exclusivamente reservados : mas a verdade lhe he essencialmente necessaria ; sem esta , a virtude pode aos homens mais excellentes precipitar em todos os gráos da desgraça , e póde até vir a ser a origem dos mais funestos erros , onde aclarar sua consciencia naō he menos huma necessidade , do que hum dever , a sua descoberta o enche da maior satisfaçaō.
O fim , meu Leitor , deste Dialogo , foi dissipar a muitos virtuosos Cidadáos as trevas em que estavaō envoltos. He a gloria que aspiro , e por isso naō temo o mordaz zoilo , porque a este só direi , que sendo o Dialogo entre Mortos , fique para elle tudo em zero.
O tempo vem por fim a destruir o sonho das opiniōes humanas , restabelece as Leis da Natureza.