mente legitima a resposta pela affirmativa. “Vos hei de contar, diz um dos interlocutores, uma graça ou historia que succedeu ha poucos dias neste Estado sobre o achar o ambar. Certo homem ia a pescar para a parte da Capitania do Rio Grande em uma enseada que ahi faz a costa...” A menos que não se provasse que o autor escrevia no Ceará, o que está fóra da questão, para a parte da Capitania do Rio Grande, só se podia escrever na outra Capitania contigua, isto é, na Parahiba.
Se a capitania em que os Dialogos foram escriptos tão vagamente se designa que apenas probabilidades se podem apurar a favor de uma, não é mais precisa a indicação do lugar em que a scena passa. O primeiro dialogo põe certa tarde, ex-abrupto, dois individuos já conhecidos entre si em nossa presença: Alviano e Brandonio. Em frente á casa do ultimo trava-se a conversa. Estiveram sentados discorriam peripateticamente? Nada se póde concluir. A conversa prolonga-se; sendo tarde, marcou-se o outro dia e lugar em que a pratica terminou para a contigua. O mesmo se fez das outras vezes. Entre o terceiro e o quarto dia falhou Brandonio: a conversação reproduzida nos Dialogos das Grandezas do Brasil durou, portanto, sete dias, com um de descanso.
Quem eram Alviano e Brandonio Por que foram escolhidos estes nomes? Conterão algum anagrama? Nem uma resposta se póde formular. Parecem antes personagens symbolicos: um representa o reinól vindo de pouco impressionado apenas pela falta de commodidades da terra; o segundo é o povoador, que desde 1583, veio para o Brasil, e, com as interrupções de varias viagens além-mar, ainda aqui estava em 1618, data da composição do livro. Tão abstractos são os personagens, que ás vezes saem dos labios de um palavras que melhor condiriam nos do outro.
A conversação irrompe sem preparo á vista de uma lanugem de monguba, passa aos motivos por que a terra é descurada, e após varios incidentes termina com a descripção summaria das diversas capitanias, desde o rio Amazonas até São Vicente; tal o objecto do primeiro dialogo. O segundo começa por uma discussão mais erudita que interessante sobre a zona torrida e sua inhabitabilidade affirmada
pelos antigos philosophos, desmentida pela experiencia;