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Página:Dialogos das grandezas do Brasil.pdf/29

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DIALOGOS DAS GRANDEZAS DO BRASIL
DIALOGO PRIMEIRO
Alviano

Que bisalho é esse, Sr. Brandonio, que estaes revolvendo dentro nesse papel! — porque, segundo o consideraes com attenção, tenho para mim que deve ser de diamantes ou rubis.

Brandonio

Nenhuma cousa dessas é, sinão uma lanugem que produz aquella arvore fronteira de nós em um fructo que dá, do tamanho de um pecego, que semelha propriamente a lã. E porque m’a trouxe agora ha pouco a amostrar uma menina, que o achou cahido no chão, considerava que se podia applicar para muitas cousas1.

Alviano

Não de menos consideração me parece o modo da arvore que o fructo della; porque, segundo estou vendo, semelha haver-se produzido do sobrado desta casa, onde deve ter as raizes, pois está tão conjuncta a ella.

Bandonio

A humidade de que gozam todas as terras do Brasil a faz ser tão fructifera no produzir que infinidade de estacas de diversos páos, mettidos na terra, cobram e em breve tempo chegam a dar fructo; e esta arvore, que vos parece nascer de dentro desta casa,

foi um esteio que se metteu na terra, sobre o qual, com outros mais,

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