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Ode a sua magestade catholica, D. Fernando VII, escripta depois da queda da çonstituição. Lisboa, 1823.

Collecção de poesias — entre as quaes mais de cem odes, sonetos, etc., ineditas e provavelmente extraviadas.


Antonio Pires de Carvalho — Natural da Bahia, nasceu pelo meiado do seculo VIII segundo posso calcular, era presbytero secular, e vigario collado de Monte Santo, em cujo cargo escreveu:

Breve relação de como tiveram principio, e proseguimento os Santos Passos do Monte-Santo e seus milagres e prodigios, erigidos pelo reverendissimo senhor padre-mestre frei Apollonio de Jodi, missionario apostolico italiano, barbadinho, nos sertões altos (de Picoarasá) deste arcebis pado da Bahia, 1786 — Mans. de 13 pags., apresentado por dona Antonia R. de Carvalho na exposição de historia do Brazil da bibliotheca nacional. Traz o nome do autor.


Antonio Pires da Silva Pontes Leme — Filho de José da Silva Pontes e de sua esposa, uma senhora da familia Paes Leme, de Minas Geraes, e pai do desembargador Rodrigo de Souza da Silva Pontes, de quem me occuparei opportunamente, nasceu nesta provincia, em Marianna, depois do anno de 1850, e falleceu no Rio de Janeiro a 21 de abril de 1805.

Em 1772 matriculou-se no curso de mathematicas da universidade de Coimbra, onde teve por seu mais particular amigo e collega o joven paulista Francisco José de Lacerda e Almeida, e ambos no mesmo dia, a 24 de dezembro de 1777, receberam o grau de doutor, e foram juntos despachados astronomos da terceira partida de demarcadores de limites do Brazil, trabalhando em explorações e estudos por diversos pontos do norte e do sul do Brazil até o anno de 1790. Teve tambem por companheiro nestas commissões o engenheiro Ricardo Franco de Almeida Serra com o qual, depois de varios trabalhos e explorações penozas, fez o reconhecimento do Alto-Paraguay até a Bahia-Negra, de onde veiu á Cuyabá ; e propunha-se a explorar o Paraguay-diamantino, quando foi encarregado de estudar o rio Verde e o Capivary, affluentes occidentaes do Guaporé, indo até ás cabeceiras do Sarará, Juruema, Guaporé e Jaurú.

Recolhendo-se depois a Portugal, foi nomeado lente da academia de marinha com o posto de capitão de fragata, a 13 de abril de 1791, mas subindo ao ministerio, apoz alguns annos, seu amigo dom Rodrigo de Souza Coitinho, depois Conde de Linhares, foi por influencia deste em 1798 nomeado governador da capitania do Espirito Santo, onde prestou muito importantes serviços e esforçou-se pela civilização dos indios do rio Doce, creando o presidio, a que deu o nome de Linhares, em honra de seu amigo e protector, seu e de seus patricios, os bruzileiros, e nesta commissão esteve até 17 de dezembro de 1804.