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678 DOM JOAO VI NO BRAZIL

Sob a direcgao do atilado estadista, a legac.ao de Lon- dres logo tomou urn aspecto diverse no que tocava a gerencia dos negocios: tornou-se interessante ao mesmo tempo que pratica. Palmella era o que os Inglezes chamam a born dl plomatist, tendo a visao clara das cousas, occupando-se sl multaneamente das mais variadas questoes, nenhuma jul- gando inferior a sua capacidade e pouco merecedora do seu desvelo, sabendo tomar sem hesitar as providencias urgentes sem deixar de consultar o governo remoto quando fosse caso para tanto, acudindo a todas as reclamagoes sem per- der a fleugma fidalga, trazendo o service completamente em dia e sabendo expor os acontecimentos e offerecer os argu- mentos n um estylo simples, fluente, lucido e directo, sem elegancia litteraria mas com uma nota inconfundivel de dis- tmccfio, e geralmente com urn sabor agradavel de verna- culidade que de quando em vez adulteravam estrangeirismos flagrantes (i), originados na educagao e longa residencia fora dc terras portuguezas.

Palmella encontrou a questao posta nos seguintes ter- mos: a Hespanha protestava fortemente contra a expedigao portugueza ao Rio da Prata, que tampouco merecia o apoio sequer condescendente da Gra Bretanha, o que nfio signi- ficava, no dizer de um dos officios reservados do repre- sentante de Dom Joao VI em Londres, que o governo in- glez se nao mostrasse depois da guerra de 1812-14 com os -stados Unidos muito menos propenso a favorecer a causa dos Hispano-Americanos.

Lord Castlereagh puzera-se mesmo de franco accordo com Fernan Nunez, n este sentido dera suas instruccoes ao

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��1) Assim encontrri-se na sua corresponclencia official majori- loria, ajomar por acliar, oifra por monogramma, etc.

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