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DOM JOAO VI NO BRAZIL 685

ramo dos Bourbons, porque para os politicos britannicos o essencial era contarem uma monarchia em Portugal e nao uma ficgao de governo representative, sob a forma entao exis- tente de uma delegagao muito limitada da soberania absoluta.

Preferiria o gabinete de Saint James, e evidente, que continuasse a antiga, tradicional dynastia, mas comtanto que estivesse directamente representada, quando nao pelo pro- prio monarcha, pelo Principe herdeiro. O regresso de Dom Joao VI, confessava-o Castlereagh, era cousa difficil, at- tento o descontentamento que necessariamente se seguiria no Brazil a esse acto, o qual pareceria mesmo desairoso em face da recente revolucao em Pernambuco: nada porem obstava a que Dom Pedro fosse governar Portugal.

Foi em Junho de 1817 que Palmella ouviu da bocca do Secretario d Estado dos Negocios Estrangeiros (i) a expres- sao d esse desejo, cuja realizagao a conspiragao de Gomes Freire marcava com o rotulo de urgente e indispensavel. A ausencia do soberano ou do seu lugar-tenente significava a paralysia de um membro da "republica europea". A presenga do Principe Real, como presidente do conselho de regencia do velho Reino, dispensaria o tedioso recurso para o Rio de Janeiro nas negociagoes diplomaticas relativas a Portugal e nao mais ficariam as rodas da administragao interior impe- cidas (expressao textual de Palmella) em razao da distancia a que se achavam da mola real.

Na conferencia que a semelhante respeito teve com lord Castlereagh, Palmella aproveitou habilmente o ensejo para ponderar que a providencia suggerida nao seria suffi- ciente para levantar Portugal do seu profundo abatimento, mais accentuado apoz as ultimas Sangrias, e que, si inadia-

(1) Oficio secretissimo de 9 de Jimho de 1817,

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