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686 DOM JOAO VI NO BRAZIL

vel se tornava curar as feridas portuguezas e animar o com- mercio decadente e a industria moribunda, nada de melhor se poderia experimental do que alliviar o paiz dos males do tratado de 1810, reconhecendo a Gra Bretanha quanto "convem aos seus proprios interesses nao descontentar o povo portuguez com o peso da sua allianga."

Em Junho de 1817 a situacao de facto se aclarara para a corte do Rio. Tinham chegado a Europa as explicates do governo portuguez, ahi produzindo favoravel impressao no conceito ordinariamente frio do seu ministro em Londres; a boa impressao devendo sobretudo ter sido causada pelas noticias dos successes militares dos Portuguezes, culminados na occupagao de Montevideo. O caso e que a Inglaterra aca- bara por desistir de querer impor a mediacao e que a Austria se prestara a seguil-a. Ja a 9 de Abril Palmella reconhecera, atravez de todas as recriminacoes de Castlereagh, a natu- reza indissoluvel do lago que prendia a Portugal a Gra Bre tanha: "Julgo poder mesmo assegurar a V. Ex.-, que, no caso de uma aggressao por parte da Hespanha, haveria toda a probabilidade de obtermos do Governo Britannico soc- corros indirectos, como armas e dinheiro; mas, certamente, a menos de apparecerem novas combinagoes, incalculaveis por agora, nas relac.6es politicas das potencias da Europa, nao devemos esperar que a Gra Bretanha abrace directa e abertamente a nossa defeza" (i).

Pouco depois, em Junho, mais se accentuavam ainda j>uas disposicoes optimistas, de um optimismo que nunca dei- xava de ter fundamento solido. "Como quer que seja, a questao podera de ora em diante tratar-se e concluir-se mais brandamente do que comecou. A Russia mesmo, que tanto

��(1) Off. cit. nos Dcspachos e Correspondcncia, Tomo I.

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