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DOM JOlO VI NO BRAZIL 687

fogo pareceu tomar ao principio, tern agora, se pode julgar-se pela linguagem dos seus Ministros, deitado, para uzar de huma expressao vulgar, bastante agua na fervura, e pare- ce-me n huma palavra, que mediante alguma moderada con- descendencia da nossa parte, nao devemos recear que nos obriguem, ou a evacuar desairosamente o territorio que as nossas tropas tern occupado, ou a entregallo a Hespanha, a nao ser em consequencia de algum ajuste reciprocamente vantajozo com essa Potencia" (i).

Sabendo perfeitamente que se achava n um paiz de opiniao publica, Palmella ao mesmo tempo que tratava de serenar o governo britannico, occupava-se de explicar a na- c.ao britannica as razoes de proceder do governo portuguez, para isto valendo-se do excellente conducto do Times. Nas expressoes de um dos seus communicados a grande folha, aquelle proceder era singelamente o do varao cauteloso que vendo a casa do visinho presa das labaredas, tratasse de de- molir a parte d ella que pudesse communicar o incendio a sua propria casa, collocando da banda de fora sentinellas para resguardarem a propriedade illesa do progresso das chammas. Poder-se-hia em caso tal censurar com justica o seu modo de agir ? Teria o dono da casa incendiada direito de offender-se, achando-se ou demasiado longe ou demasiado atarefado para apagar o fogo ?

Si a revolucao de Pernambuco se prendia ou tinha re- lagoes com a do Rio da Prata, como era voz em Londres, isto so dava razao aos que applaudiam a prudencia do mo- narcha portuguez em assim extinguir o foco de anar- chia que se abrazava ao pe da sua porta. Ninguem alias

��(1) Officio reservado de 8 de Junho de 1817, BO Arch, do Min. das Rel. Ext.

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