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692 DOM JOAO VI NO BRAZIL

O duque de Richelieu tao bem observava a liberdade de movimentos que se arrogava o governo portuguez, que es- crevia por esse tempo ao seu agente Maler as palavras se- guintes : A corte do Brazil parece em demasia persua- dida de que a sua politica poude mudar completamente com o lugar da sua residencia. Ella deveria reflectir que continua presa a Europa pelos seus dominios territoriaes, interesses, commercio e alliangas de familia; que nao se for- talece buscando dotar de maior extensao ainda um novo Reino ao qual faltam populagao, industria e todas as artes geradas pela civilizacao, e que na sua actual condigao de veria seu interesse primordial ser o de conservar a paz, ou por n ella se Ihe deparar uma garantia das suas possessoes na Europa, ou para sem perturbacao se occupar dos pro gresses de que o Brazil carece" (i).

Nao era comtudo menos visivel que a Hespanha perdia terreno. Quando logo depois da sua tarefa official e officiosa em Londres, Fernan Nufiez, removido para Pariz para Londres foi nomeado embaixador e ahi chegou em Outubro de 1817 o duque de Sao Carlos (2)- - pretendeu que as potencias alliadas interviessem entre a Hespanha e suas colonias para supprimir de vez o espirito insurrectional, nao o escutaram e mandaram a chancellaria madrilena dirigir-se as proprias potencias directamente, em vez dos seus repre- sentantes acreditados na Franga.

Tambem, depois de assumir o seu novo posto, mandou Fernan Nunez aos ministros das cinco potencias alliadas uma nota tao destemperada sobre a occupagao de Montevideo,

��(1) Arch, do Min. dos Neg. Est. de Franca.

(2) " Parece, escrevia Palmella a Bezerra a 8 de Outubro, hum homem moderado e de hum caracter muito mais coBciliador e sensato do que o seu Predecessor, conde de Fernan Nunez." (Arch, do Min. das Bel. Ext.)

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