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DOM JOAO VI NO BRAZIL 767

tufr os prlmeiros motives da penuria; por causa de uma infinidade de abusos os rendimentos publicos escoam-se em parte nos bolsos dos que os percebem ; a fraude outrosim provocada pela elevagao dos direitos aduaneiros mais pre- judica a cobranga; .despezas na realidade modicas sobem a sommas consideraveis gragas a improbidade dos que se acham d ellas encarregados ; a nobreza que acompanhou o Principe e pobre e vive do thesouro, que a chegada da Ar- chiduqueza, o casamento do Principe Real e a coroagao de S. M. acabaram de esgotar. A simplicidade do monarcha ( i ) e sua familia, traduzindo-se em gostos e habitos con- sentaneos, nao impede que sejam muito consideraveis os gastos da sua Casa porque a desordem e ma fe sao analogas nas suas despezas particulares as que lavram nas despezas geraes do Estado. Tudo isto explica o phenomeno da geral situagao folgada dos commerciantes e dos empregados do governo, ao lado da pobreza do Estado e dos grandes. De resto, um departamento que foi dirigido provisoriamente durante annos pelos senhores de Aguiar, de Araujo e Be- zerra, nao pode senao resentir-se longamente do langor e enfermidades d esses trez ministros, e devo ajuntar que n este instante os fundos se acham por forma tal hauridos que o Thesouro nao offerece em pagamento mais do que letras sobre a alfandega, a seis mezes de prazo."

Sao as mais repetidas na correspondencia de Maler as referencias ao estado de anemia do erario e ao desconcerto das finances. Como sempre acontece, o governo recbrria a arbitrarias e apezar d isso anodinas, quando o se-

��(1) Dom Joao \ I era ate muito economico e, nos sens cofres jmrt.lcularrs. amontoavam-se pilhas de moedas de oui-o. Tambem, ao emigrar para o Rio, levara a corte nas suas areas metade do numera- rio em circula(;ao no Rerao.

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