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776 DOM JOAO VI NO BRAZIL

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era offerecida, e internando-se cada vez mais nas solidoes para escapar ao jugo das forgas militares com que ia sendo legitimada a posse da terra e praticada a novissima cate- chese. D ahi vem que o espectaculo apresentado pelos habi- tantes primitivos do Brazil na epocha de Dom Joao VI nao encerrava grande alteragao do que se nos houvera deparado em pleno seculo XVI.

Dividiam-n os official e litterariamente em indios selva- gens, semi-mansos e mansos, sendo na realidade minima a differenga entre as trez classes. O principe Maximiliano de Wied-Neuwied occupou-se bastante d elles e deixou a respeito urn depoimento insuspeito. No seu tempo existiam ainda em grande numero indios na propria provincia do Rio de Janeiro, apezar da referida migragao e da constante fusao com o elemento conquistador.

Os pseudo-civilizados ou em caminho d isso viviam em cabanas de taipa com tectos de folha de coqueiro, dor- mindo nas mesmas redes, servindo-se das mesmas cabagas, cobrindo o chao com as mesmas esteiras, empregando as mesmas armas de arremesso que os outros. Conservavam todos os seus costumes privados, as suas comi das e bebi das, os seus folgares e tristezas, todos os seus usos collectivos. Uma espingarda, um espelho, um instrumento agricola re- cordaria occasionalmente como de resto acontecia ao tempo dos primeiros escambos o contacto com a cultura europea, que se trahia tambem mais pela adopgao da lingua portugueza do que pela da religiao christa imposta a sua credulidade e sobre a qual a sua imaginagao infantil lan- ^ara e bordara um manto de superstigoes tecido pela igno- rancia.

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