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DOM JOAO VI NO BRAZIL 779

gindo de tao miseraveis fieis pagamento adiantado pelos seus servigos ecclesiasticos e assim contribuindo, com suas vexagoes, para tornar mais aborrecida dos indios essa reli- giao estranha que elks nao logravam sequer comprehender.

Os soldados dos destacamentos espingardeavam sem tirte nem guarte um aldeiado por uma espiga de milho rou- bada de uma plantagao de branco e commettiam cem bar- baridades, entre outras a de vender criangas das tribus.

Nada se praticava com docura e vontade de acertar, em contrario a todas as recommendagoes officiaes, cujo theor era invariavelmente benevolo para com os indios (i). Para forgar os Puris a habitos sedentarios e a um cultivo regular da terra, lembraram-se de trazel-os em parte para a capital de Minas Geraes e ahi distribuil-os em servigo pelas familias, n uma quasi resurreigao urbana das encomiendas hespanho- las. Dizimados pelas doengas, vencidos pela melancholia, sujeitos aos ruins tratos ou pelo menos forgados a um trabalho seguido que nao estava nos seus habitos tradicionaes e re- pugnava a sua natureza, desappareceram esses servos pela porta da morte ou refugiaram-se de novo nas suas florestas, onde os perseguiram os soldados, vingando-se elks por fim com massacrarem o director, destruirem plantagoes e immo- larem uma quantidade de innocentes. (2)

A Dom Joao VI nao eram desconhecidos os abusos es- candalosos que se passavam e magoava-o um tal estado de

��(1) No regimen to, tornado ao acaso, relative ao governador presidente da nova Relagao do Maranhao, encontram-se as seguintes

})alavras : "e mandara procedor com rigor con IT a quern os mal-

tractar, oil molostar, dando ordons, o providoncLa-s j)ara (|iii> sc jtossao sustcntar, e viver juncto das Povoac.-aes dos I ortugut zos, ajudando-se dellas de mancira que, os que habitao no Certa-o, folgiu-m do vir para as clitas Povoa(;oes, e en ton da o quo ton ho Icmbranqa dolles."

(2) Escliwoge, Journal voit Bn

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