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780 DOM JOAO VI NO BRAZIL

cousas, contra o qual nada podia a sua acgao benigna, n uma tamanha extensao territorial, com as circumstancias predo- minantes que iam desde a distancia ate a carencia de mora- lidade, e sem agentes fieis para a repressao dos que deviam civilizar e para a educagao dos que havia a civilizar. Tudo pelejava em contrario as intengoes reaes: a ma vontade dos indios em submetterem-se, tanto quanto a ma vontade das auctoridades subalternas, e mesmo das que Ihes eram imme- diatamente superiores, em defendel-os e eleval-os.

Quando houvesse sympathia e energia para isso, era a obra superior aos meios de pol-a em execugao. A Junta de Villa Rica, funccionando perto, nao conseguio reduzir, ape- zar da guerra movida, o paiz dos Botocudos - - cerca de i. 200 leguas quadradas, cobertas de florestas impenetra- veis, que permaneceram mais ou menos nas primitivas con- digoes, sem estradas abertas, nem culturas, nem seguranga, nao se melhorando sequer a navegagao do Rio Doce.

A colonizagao do interior do Brazil, Dom Joao VI a encontrou e a deixou sob a forma de um desbravar em- pirico, exercido a ferro e a fogo, sem o apparelho apropriado nem sombra de fundamento scientifico. Traduzia-se, como hoje ainda, pelas derrubadas e queimadas que, a pretexto de alargarem a zona de cultivagao, extendiam, com a suppres- sao das mattas, a area das seccas para n ella vegetar, sobre um solo que de fertil passava a esteril, "e decaida pelo im- paludismo, tao caracteristico das regioes incultas, uma po- pulagao de mestizos lamentaveis, agitantes n um quasi de- serto" (i).

��(1) Enc lydos da Cnnha, T m rnnirnstc., artigo pnblicado no Paiz, rl<- IT dc> Julho de 1904.

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