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818 DOM JOAO VI NO BRAZIL

22 canhoes, uma bella escuna americana armada, varlas gran- des chalupas e canhoneiras promptas a sahir, alem de outros grandes navios mercantes que pretendem armar em guerra" (i).

Dizia-se, com o mesmo exaggero, serem permanentes os trabalhos no arsenal do Recife, como com verdade o es- tavam sendo os esforgos bellicos do governo do Rio, sobre- sahindo em afan o monarcha que nao cessava de visitar os arsenaes de guerra e marinha e em pessoa apressar - "com sua presenca, seu ardor e seus cuidados" - os preparatives de repressao, que fazia morosos a falta de trabalhadores e de materiaes.

A revolugao nao merecia mais tanto. Ao recrutamento em terra correspondia no Recife a emigragao, sequestrando a Junta os bens dos que assim se ausentavam, como seques- trara os navios portuguezes. Nao menos se despovoava a cidade pelo pavor do bombardeio por parte da esquadra legal, cujo apparecimento originara defecgoes entre os ca- pitaes portuguezes - - os unicos possiveis a falta de nacionaes dos navios armados em guerra pelos rebeldes.

Perdera-se de vista o lado theorico; sumira-se o idea- lisrno da revolucao. Ninguem mais cogitava dos principios liberaes, das leis reformadoras: o essencial era a salvagao de cada um. Uns poucos o padre Joao Ribeiro, Domin- gos Martins, Antonio Carlos, Domingos Theotonio --man- tinham-se firmes, si ja Ihes nao era licito esperar. Os outros tao desorientados andavam que os Portuguezes ricos se atreviam a offerecer 100 contos aos membros do governo, para que renunciassem a lucta e se evadissem. O povo, por sua vez, tratava todos elles de aristocratas e nao mais se

��(1) OfHcio cit. de 2 de Maio dc 1817.

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