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DOM JOAO VI NO BRAZIL 821

A cidade ficcu virtualmente deserta, do que um padre correu a dar aviso aos marinheiros das embarcagoes surtas dentro do porto, para que desembarcassem de madrugada a toma- rem conta do Recife, arvorando de novo o pavilhao real que o mesmo sacerdote ia desfraldar "por sua conta e risco". Ao nascer do sol uma pequena embarcagao portugueza igou com effeito a bandeira legal, outras imitaram-na e seus canhoes salvaram, sem que Ihes respondessem, mudas, as fortalezas de terra, ainda com guarn.coes insurgentes, que constituiam uma reserva a disposicao de Francisco de Paula Cavalcanti para proteger a retirada do grosso das forces.

Nos quarteis abandonados encontrou a marujada por tugueza, uma vez em terra firme, armas e municoes bas- tantes, e dos fortes se apoderou sem opposigao porque aos seus defensores ja Ihes faltava por completo o estimulo, tendo-se o chefe, Francisco de Paula, bandeado com a multidao que dava vivas ao Rei, e a frente d esta corrido elle proprio a libertar os presos politicos da revoluqao, entre os quaes o ma- rechal Jose Roberto, que provisoriamente se encarregou do governo ( I ) .

Os brigues armados pelos patriotas foram igualmente desamparados e occupados sem combate. A s 7 horas a muta- gao de scena era perfeita, agitando-se de novo as cores por- tuguezas a viragao que ia passar a soprar do mar, onde se divisava immovel a esquadra do bloqueio, que so as 8 ^, informad a por mensageiro dos gratos successes, deu signal de si, respondendo as jubilosas saudacoes de terra. Passava de 4 horas da tarde quando Rodrigo Lobo desembarcou com 50 homens, insufficientes mesmo para guarnecer as fortale zas e sobretudo para center os marinheiros libertadores que,

��(1) Muniz Tavaros, ob. cit.

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