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DOM JOAO VI NO BRAZIL 823

Os bons militares disciplinados, os aguerridos veteranos por- tuguezes, tropas que Tollenare chama excellentes, so depois, a 29 de Junho, chegaram com Luiz do Rego, portador de proclamagoes e instruccoes redigidas na corte sob o influxo benigno de Dom Joao VI e a tendencia que nunca deixara de ser liberal do conde da Barca, e destoando singularmente das emphaticas, soffregas e crueis exhortagoes, que Maler ap- pellidava des boutades irreflechies, de Arcos.

No Rio de Janeiro a noticia da suffocagao do movi- mento foi acolhida com foguetes, repiques de sinos e illu- minaco es geraes, escrevendo Maler que nas noites de 15 e 1 6 de Junho a sua mo desta casa foi o sol do seu bairro. No momento de espalhar-se o feliz boato, d essa vez verdadeiro, 400 a 500 pessoas da corte correram a felicitar o monarcha p-elo restabelecimento da sua auctoridade, pejando os saloes de Sao Cbristovao. Tao satisfeito ficou tambem o Rei com a nova da rapida desapparigao do movimento sedicioso, de que muito se temera a generalizagao, quao pezaroso - - elle pro- prio o repetiu varias vezes a Maler (i) pela dura neces- sidade a que se via exposto de ter que mandar executar os cr.begas da revolugao.

O sentimento nao parece destituido de sinceridade, pois que a rigidez com que procedeu Luiz do Rego, em desaccordo com o espirito das ordens que recebera, mais tarde descon- tentou o soberano. A 3 de Novembro de 1817 escrevia Maler que a conducta do governador geral de Pernambuco, a sa ber, a severidade excessiva por elle empregada, refreara os animos mas revoltara toda a gente e alienara todos os cora- goes. Sabia o encarregado de negocios de Franga estar o Rei muito desgostado, ainda que pela natural hesitagao que

��(1) Officio do 20 de Junho de 1817.

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