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592 DOM JOAO VI NO BRAZIL

neiro que, si elle voltasse a Buenos Ayres, de odio o enfor- cariam n um ferro de lampeao, tal era a tendencia espon- tanea da collectividade para a sua autonomia. Com effeito o enviado argentine, a quern o espectaculo da patria desunida e desordenada apparecia de fora tao desanimador e lugubre, nao calculava bem a vitalidade da resistencia nacional a qual- quer piano de recolonizagao : fosse este o perdao promettido por Fernando VII aos seus subditos transviados e arrepen- didos, fosse caso ainda peor a ereccao de um reino encorporado no imperio de Dom Joao VI ou tutelado pela coroa americana de Portugal ; como seria mesmo a absurda monarchia do descendente dos Incas casado com uma In fanta portugueza, filha de Braganga e Bourbon, com que sonhava Belgrano e que o Congresso de Tucuman apo nta- ria pouco depois a Pueyrredon como o mais sabio desfecho para as difficuldades com a Hespanha e com Portugal.

O facto e que o povo argentino, estimulado pela recon- quista, com foros tradicionaes e ja agora com tradigoes guer- reiras, formadas no episodJo da expulsao dos Inglezes, repel- liria qualquer piano importando em sujeicao nacional, por mais paternal e culto que Ihe apregoassem o governo dos Bragancas comparado com o despotismo de Fernando VII ou com o barbaro caudilhismo. A sorte estava langada, a separacao consummada, a independencJa realizada. A forga moral que assegurava esta ultima podia ser latente mas nao existia menos por isso, e nao tardaria ate a manifestar-se com toda a pujanqa propria de um composto solido e duradouro.

Sentir a febre da autonomia e dispor de forga para re- sistir ao tratamento que Ihe queriam impor, eram porem para a nacionalidade nascente cousas differentes. O director Pueyrredon nao pensava como Garcia, mas acreditava n uma

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