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DOM JOAO VI NO BRAZIL 875

bemos que a Inglaterra quasi abandonara seu antigo alliado, proclamando retirar-lhe a garantia da integridade territorial, sobretudo porque Dom Joao VI se obstinava em nao deixar o Brazil. Fazia-se sobretudo mister achar um contrapeso para o auxilio que a Russia estava prestando a Hesjsanha, ameagando transformal-o de moral em material: o que pa- recia tanto mais provavel quanto nao era tal apoio desinte- ressado, dictado apenas pelos principios da legitimidade e da indissolubilidade dos lagos que prendem os povos aos seus Soberanos.

Af f irma-se - - e Marialva reproduz o consta--que a Hespanha promettera a Russia consentir na occupagao mi- litar, pelo Imperio, de parte da ilha de Minorca. Em vista dos designios constantes nutridos pelo governo de Sao Pe- tersburgo contra a Porta, nao deixava de ser valioso o dispor assim a Russia de um porto no Mediterraneo, onde Ihe fosse dado reunir livremente as suas esquadras e possuir um ponto de refugio, senao uma base de operacoes. O re- ceio de Marialva, de que a expedigao hespanhola de recon- quista do Prata levasse um forte contingente russo, basea- va-se nao so n esta consideracao como nas inclinagoes belli- cas do Czar, a quern, mau grado o mysticismo, facilmente seduzia quanto se referisse a guerras, e tambem no facto de existir um numerosissimo e experimentado exercito russo, desoccupado com a paz da Europa e naturalmente ancioso de ir pelejar e pilhar "em hum paiz cujo clima e riqueza sao tao exaltados na Europa" (i).

Nao se havendo ainda por esse tempo verificado a al- teragao nas disposigoes britannicas que o talento diploma-

��(1) Officio de Marialva a Agutar do S de Povoreiro de 3 81 7. Maro de papeis rofcvonti s ao casamonto do Principe Koal, no Ai ch. do Min. das liol. Ext.

D. J. 55

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