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904 DOM JOAO VI NO BRAZIL

Litterariamente, porem, nada melhor reflecte essa epo- cha de remodelagao politica e mais ainda social, e de inno- vagao intellectual que, consciente ou instinctiva, representa para o Brazil e sobretudo para a sua capital a transferencia da sede da monarchia, do que O Patriota, revista precur- sora do Panorama de Lisboa, cuja publicagao se encetou em 1813 e onde se encontram conhecimentos uteis, varieda- des historicas, notas de exploragoes e trabalhos profissionaes de botanica, medicina e outras sciencias. O Patriota foi a revista adequada a sociedade e ao momento historico de Dom Joao VI no seu reinado americano. Correspondeu precisa- mente a curiosidade de saber que por esse tempo se desdobrou merce do levantamento do nivel nacional, e a expansao que no Brazil tomaram os estudos agricolas, industriaes, hygie- nicos, chimicos, geographicos e outros d antes descurados, como si, na phrase do editor, "a posicjio physica retardasse a luz a chegar ao nosso horizonte" (i).

��Em Margo de 1817 improvisararn-se compositores dous frames, urn in gle/ e um marujo francez sob a direcgao do padre Joao Ribeiro, sendo o priineiro trabalho sahido a luz o Preciso dos successes elaborado pelo Dr. Jose Luiz de Mendonga.

Quando triumpliante a restauragao, cassgu-se a primitiva licemga pelo infamc abuso commettido com a officina, cujo material se man- dava fechar e remetter para o Rio. Recolliido todo este material ao Trem Real (Arsenal de Guerra), apenas parte foi enviado para a ca pital, dous annos depois da r-ebelliao, em virtude de reclamagao do ou- vidor geral da comarca. Com o que ficou, e um prelo tie madeira fabri- cado no proprio Trem, montou Luiz do Rego mais tarde, em Margo de 1821, uma typographia para vulgarizagao, exigida pelas novas cir- cumstancias politicas, de froquentes documentos officiaes, e publica- gao da Aurora J criianibHciiiia, folha redigida por seu gonro, o depois fanioso estadista portuguez Rodrigo da Fonseca Magalhaes (Pereira da Costa, Estabelecimento c JJi si in olrinicnto dn finjjrcnsa em Pcrnain- l)uco, na Rev. do Inst. Arch, e Geog. Tern. n. 39).

(1) Introducgao ao 1^ numero, Janeiro de 1813.

Entre as contribuigoes a revista fluminense, originaes ou tradu- zidas de publicagoes inglezas e francezas e todas ellas mais de cara- cter pratico do que de indole puramente litteraria, encontram-se me- morias sobre o plantio do cafe, o tratamento do anil e da cochonilha, a cultura do algodoeiro (da lavra de Arruda Camara), o fabrico do

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