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DOM JOAO VI NO BRAZIL 961

onde elle se prosternara: Foi o primeiro que se fiou no meu coragao e se entregou nas minhas maos. ( I ) Marrocos, espantado, communicava ao Pai (2) que o reo de alta trai- gao fora convidado para o Paco e ja entrara de semana como camarista.

O academico Stockier, de cuja bocca ouvira o Rei o ex- celso elogio official da sua politica americana, era outro trai- dor perdoado. Chegara inesperadamente ao Rio uns seis annos antes, em 1812, dizia ironicamente Marrocos (3) que "para servir onde S. A. R. houvesse por bem empre- gal-o", nao o vendo elle comtudo ir ao Pago e nao tendo ainda beijado a mao do Principe. "Elle vive como em retiro fora da cidade, inculca muito de sua conducta exemplar no tempo do intruso Governo, e publicou huma Obra Cartas ao Auctor da Historia Geral da Invasao dos Francezes em Portugal, e da Restaura^ao deste Reino. Rio de Janeiro 1813. 4 em que pertende justificar-se com muita palavra ou parolada, assim como o seu Piano de Campanha com o Duque de Lafoes, porem he tao infeliz que cada vez se con- demna mais, e se atola no lodo."

A bondade proverbial de Dom Joao VI, a sua allgemeln bekannte Herzensgute como a chamava von Leithold (4), era tanto mais espontanea quanto nem se podia dizer fosse

��(1) von Leithold, ob. cit., onde se encontra narrado o caso com todos os pormenores.

(2) Carta de 8 de Setembro de 1818.

(3) iCanta ao Pai de 28 <Je Setembro de 1813.

(4) YOU Leithold nao alcangou todavia que o Kei Ihe conce- desse terras para uma faz-enda ; mas conta que a um conde d Omervail que veio pela primeira vez tao Rio, especular por conta propria e alheia, n um navio que ? incendiou com toda a carga, salvando- se a custo a a]>oz muito s peri gos a tripo lac.a.0, fea o Rei presente de 18 cantos, nao trndo sido possiv<M conoeder-lhe como pro jectava livre franquia adua- ncira das mercadorins, trj/idas em 1819, quando pela sogunda vex veio tentar fortuna. Os oscriptorcs (^stran^ciros sao absolutamente unanimes em celebrar a natureza indulgente de Dom Joao VI.

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