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968 DOM JOAO VI NO BRAZIL

penhavam os pretos papel muito consi deravel na vida quoti- diana da cidade, na sua existencia economica e na sua exis- tencia domestica, e si por um lado se achavam entao mais perto, pela constante importagao dos seus contingentes, da primitiva selvajaria, por outro tinham basto ensejo de dar largas a todas suas qualidades de dedicagao e affectividade.

Como, sem faltar a verdade de uma reconstrucqao lit- teraria, expulsar do tablado fluminense da epocha esse mundo animado de barbeiros ambulantes armados de medo- nhas navalhas, cesteiros vendendo os samburas que teciam, mercantes de gallinhas, de caga, de palmitos, de lefte, de capim para forragem, de milho, de carvao, de cebollas e alhos, de sape para colchoes, quitandeiras de angu e cafe, carregadores, conductores de carros de bois que chiavam de- sesperadamente pelas ruas sem calcamento ou guarnecidas de lages, puxadores de carretas com fardos, quatro adiante e dous atraz empurrando, a moda japoneza ? Na propria rua do Ouvidor, que ja armava pretencoes a elegante, abun- daram os barbeiros pretos ate algum tempo depois da che- gada da familia real, quando alii se estabeleceu, com suas pomadas e logoes perfumadas, o cabelleireiro da corte Mon sieur Catilino, e abriu loja a costureira da moda, Madame Josephine.

Assim perpassava o incessante movimento popular de negra algazarra e negra alegria, que variavam raras car- ruagens e menos raras cadeirinhas, particulares ou de aluguel, de que costumavam utilizar-se com muito garbo as mulatas da vida airada, inculcando-se a si e ao seu luxo. Os palan quins em que se pavoneavam estas sacerdotizas do amor fusco tinham, muitos d elles, a coberta toda enfeitada de es-

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