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970 DOM JOAO VI NO BRAZIL

Santo Antonio, que sahia do convento dos franciscanos, com um sem numero de imagens e grupos resplendentes no meio das gazes de ouro e prata simulando nuvens illuminadas pelos raios do sol, donde espreitavam curiosamente o m undo rostinhos de cherubins.

Tudo no cortejo era rlco e apparatoso, contrastando com a pobreza regulamentar da Ordem: os anjinhos de saias tufadas de bailarinas, carregados com os aderegos de fami- lia; os andores recobertos de velludo carmezim franjado de ouro; as velas, obras primas dos cerieiros, com flores de mil cores, aves fantasticas e cabecinhas aladas; as enormes esta- tuas vestidas de sedas claras e paramentadas de joias. Com os santos populares, que eram muitos, incluindo o preto Sao Benedicto, alternavam um rei, uma rainha, um papa com seu sacro collegio de cardeaes e Sao Luiz Rei de Franga transportando os trez cravos e a coroa de. espinhos, mas, sem respeito algum pelas tradicoes dos alfaiates medievaes, re- gressando da cruzada com um fato do seculo XVII, cabel- leira de medico de Moliere e manteo estrelado de magico.

A procissao dos Passos era toda de uma tonalidade roxa. A imagem carregava-se na vespera a noite para o tcmplo donde tinha de sahir o prestito afim de voltar a pri- mitiva egreja, e alii affluia a populagao inteira a beijar o pe machucado e ferido do Senhor. Cada anno repetia-se com a mesma concorrencia a cerimonia devota, que offerecia um ponto de reuniao e ensejo para exhibigao de vestuarios e exercicios de namoro.

As procissoes constituiam, com as noitadas ja tradi- cionaes e um tanto abandonadas do Passeio Publico e as re- presentagoes no theatre, as grandes para nao dizer unicas distracgoes fluminenses no tempo d El-Rei Dom Joao VI,

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