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974 DOM JOAO VI NO BRAZIL

estes se aggregava um sem numero de devotos entoando a ladainha e assim fazendo acompanhamento vocal a musica militar, de trombetas ou de tambor e pifano segundo a arma, que precedia a guarda chamada do posto mais proximo, e marchando com as espingardas em funeral e a barretina na mao ou segura ao brago pela correia do queixo.

Todas as egrejas repicavam a passagem do cortejo sa- grado, o qual, no caso de chuva, se reduzia occasionalmente a uma sege a passo, conduzindo o sacerdote o ciborio e o sachristao a cruz e uma lanterna de prata, e indo ao lado do carro um negro a pe, tocando a sineta. No caso de ser o en- fermo que esperava o sacramento mernbro da familia real ou empregado da real casa, o padre era transportado n um co- che do Pago com criados de libre, a cavallo, para carrega- rem os tocheiros e tangerem a campainha que provocava as oragoes e evocava no espirito dos transeuntes ajoelhados uma sympathia dolorida.

Menos frequentemente do que os sequitos religiosos, percorria as ruas da cidade o bando municipal proclamando aos habitantes algum acontecimento, auspicioso ou luctuoso, occorrido na corte. Formavam-no os meirinhos a cavallo, os almotaces ( I ) , os vereadores vestidos de negro com gola e punhos de renda branca e chapeo preto de plumas brancas, montados em animaes ajaezados, empunhando o estandarte desfraldado, e varias pessoas de posigao em grande uniforme, nas suas carruagens, precedendo o prestito a cavallaria da policia e seguindo-o a musica de um regimento da milicia.

Outros muitos espectaculos curiosos offereciam ainda as ruas do Rio de Janeiro, muito concorridas nao so de ne- gros e mulatos, como de grande numero de ciganos, vindos

��(1) Juizcs vevifi cadoree dos peos- e medidas.

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