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988 DOM JOAO VI NO BRAZIL

tejo nupcial, que ao som dos sinos e dos canhoes percorreu a distancia do Arsenal a Capella sobre as ruas juncadas de flores e entre janellas adornadas de colchas. A frente um destacamento de cavallaria, a que se seguiam os lacaios e palafreneiros do Paco em cavallos ricamente ajaezados, transportando dous d elles os escabellos forrados de damasco vermelho para os noivos; atraz a musica da cavallaria; logo oito maceiros, os reis d armas e arautos, montados todos e trajando de grande gala. Vinham depois a carro os conselhei- ros reaes, o mordomo-mor, os camaristas, acompanhados, co- ches e berlindas, de lacaios a pe. O estribeiro-mor, ou antes quern suas vezes fazia, precedia immediatamente o coche real, que escoltava o capitao da real guarda de archeiros e ladea- vam os mogos da camara, de cabeca descoberta.

Durante todo o dia resoaram as acclamacoes populares em frente ao Pago, onde, depois da cerimonia religiosa, se realizou o jantar de apparato, a noite, por entre tochas accesas, sob arcos triumphaes e com geraes luminarias, reto- mou o cortejo o caminho do Arsenal para alcangar Sao Chris- tovao por mar, n uma flotilha caprichosamente illuminada a copinhos de cores.

Na vespera tinha ido o Conde de Vianna a bordo sau- dar a Archiduqueza, e mais tarde alii a visitaram todos os membros da real familia, ja entao sendo descripto como im- pressivo o espectaculo das embarcacoes empavezadas, com os marinheiros n^s vergas dando vivas, emquanto batiam com- passa damente a agua os remadores mettidos nas suas bellas roupas. A noite, relata-se como feerico o aspecto de con- juncto das luzes do Arsenal, das pontes de desembarque e dos muitos navios, reflectindo-se nas aguas quietas da bahia.

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