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DOM JOAO S^I NO BRAZIL 991

Entre a massa compacta agglomerada diante da galeria, destacavam-se os pelotoes de infanteria e os esquadroes de cavallaria postados com receio de alguma manifestagao de des- contentamento da parte do elemento portuguez pelo facto de ter lugar a acclamagao no Brazil. Pela primeira e ultima vez no Reino americano desempenhou o seu papel o Juiz do Povo da antiga monarchia, o tradicional tribuno popular que em Lisboa era eleito ipela Casa dos 24 e que no Brazil ainda exercia uma auctoridade que se nao podia chamar um simu- lacro, pois que dispunha para sua affirmagao da sancgao penal. No cumprimento da sua missao de defender o povo contra as arbitrariedades do poder, fez o ja em todo caso archaico magistrado de depositario da real promessa de res- peitar a religiao, as leis e os privilegios populares.

Satisfeita esta pequenina deferencia, que era antes uma formalidade, ao Terceiro Estado, na mesma ordem se diri- gio o cortejo para a Capella Real, onde se realizaram o Te-Deum e a triplice bengao dada com um pedago do Santo Lenho na custodia.

O largo do Pago offerecia todo elle um aspecto festivo. A beira do caes mandara o Senado da Camara levantar por Grandjean de Montigny um templo de Minerva (i) em que se viam a estatua da deusa protegendo o Rei e na en- trada, em relevo, as figuras da Poesia, da Historia e da Fama e bem assim os rios principaes das quatro partes do mundo no acto de tributarem os productos do seu trafico. Em frente ao chafariz colonial, um arco de triumpho, obra

��(1) Reprodu/ido no reverse da medal ha 1 commemorativa conhe- c,ida par RcimtuN I- liiinincnsis, em cujo verso Zeplierino Ferrez gravou a effigie de Do in Toao VI. A gravura do* templo e por outro artista francez, que enlouqueceu.

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