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DOM JOAO VI NO BRAZIL 999

1817 a construcc/io de um dos quatro pavilhoes com arcaria ogival imaginados para os angulos.

N este palacio dava o Rei, ao som de uma banda de musica, o que se pode denominar beija-mao commum todas as noites das 8 as 9, excepgao feita dos domingos e dias santi- ficados. Concorria a cerimonia crejcido numero de pessoas a pe, a cavallo, de sege ou em cabriolet, pejando os caminhos da Cidade Nova, Catumby, e Mata-porcos. N essas recepgoes ordinarias um mulato pisava os calcanhares de um general, na phrase expressiva de Henderson. Dom Joao VI gostava muito que os seus subditos frequentassem o beija-mao e fazia por isso la voltarem repetidas vezes os prete-ridentes, parti- cularmente os que vinham da Europa com algum desejo. A estes maliciosamente os demorava no Rio, como que para Ihes ensinar a apreciarem sua capital de eleicao. Dotado da prodi- giosa memoria dos Bragancas, nunca confundia as physiono- mias nem as supplicas, e maravilhava os requerentes com o co- nhecimento que denotava das suas vidas, das suas familias, ate de pequenos incidentes occorridos em tempos passados e que elles mal podiam acreditar terem subido a sciencia d El-Rei.

Ao beija-mao de gala compareciam nao so os persona- gens em evidencia como quantos ambicionassem approxi- mar-se da realeza e tivessem meios de envergar um trajo de casaca preta, collete branco, calgoes e meias negras e chapeo de pasta. Os de nascimento nobre aggregavam um espadim. Ao lado da poltrona real, para ca dos dous enormes anjos

de azas e armadura prateadas que sustentavam o docel do throno, uma mesinha com dous castigaes em cima servia para accumular as petigoes e permittia ao monarcha lanqar- Ihes uma vista de olhos. O desfilar nao obedecia a preceden-

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