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DOM JOAO VI NO BRAZIL 1017

a parecer escarneo. Nao se lembrara El-Ref, em testemunho de benevolencia a terra do seu nascimento, de ordenar que nas vestimentas dos seus criados e nos uniformes das tropas de terra e mar somente se empregassem productos das fabri- cas portuguezas ? ( I ) Entretanto abrira o mercado brazi- leiro, quer dizer que o entregara a exportagao ingleza, e quando Ihe fallavam no remedio essencial aos males da ex- metropole, n esse regresso que ate Ihe curaria as lymphati- tes, fazia ouvklos de mercador. Nao carecia de atravessar o oceano para ter ar do mar : bastava-lhe a ilha do Governador, que de uma caravella ate tinha a forma esguia. Das janellas do convento so se enxergavam as aguas da bahia, salpica das de terras que Ihes quebravam a monotonia, e era tao gostoso o peixe de mar servido no refeitorio. . .

Insubordinacao por insubordinacao, ja que tan to se es- peculava com a de Pernambuco para o dissuadir de ficar, tambem em Portugal se cogitava de revolugoes, conforme andava informado, e muito peor seria qualquer movimento n uma terra esfomeada do que n uma terra abastada. E era facto que avisos de prevenqao tinham subido ate o gabinete real, desacreditando a fidelidade portugueza.

Depois, como de bom grado renunciar a uma posicao preponderante como a que Dom Joao VI na verdade occupa- va e mais ainda imaginava occupar na America ? Maler nfio se enganava quando escrevia (2) que o gabinete do Rio, fas- cinr.do talvez pelos habeis artificios de Barca, parecia mais interessado no papel que se desvanecia de estar desempe- nhando no Novo Mundo, do que disposto a retomar seu lu- gar entre as potencias do Velho. "Em tempo ouvi a este

��(1) Officio cit. do Lesseps.

(2) Officio do 13 de Julho do 1818.

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